Rio de Janeiro,
CAPÍTULO II - A Revelação

Aproximadamente seis anos após o nascimento do oitavo filho
de Dª. Emerita foi quando ela, no café da manhã, ocasião em que a família
Favilla se reunia antes dos afazeres diários, contou aos filhos presentes e ao
seu esposo, um sonho muito estranho que ocorrera na noite anterior e do qual se
lembrava, com todos os detalhes.



Resumidamente o sonho era o seguinte: ela se encontrava no
terraço do Edifício “A Noite”, na época o arranha-céu mais alto da cidade,
quando de repente se viu jogada do parapeito onde se apoiava. No entanto, o seu
corpo que deveria estar em queda brusca, estava planando até que suavemente
aterrissou num parque muito bonito e com árvores frondosas. À sombra de uma
delas vislumbrou um senhor um pouco calvo com o restante dos cabelos e a barba
brancos, que a chamava mostrando-lhe um grande livro dizendo o seguinte:
“Querida irmã, neste livro estão registradas todas as suas vidas pretéritas,
sendo que somente as três últimas são importantes, numa trajetória que você
mais tarde entenderá; vou abrir na página da primeira das três e peço que
preste bastante atenção no que verá.



E assim o idoso senhor narrou uma biografia como se ela fosse
participante de um documentário cinematográfico. Ela a tudo assistia com
intensa curiosidade. Ao terminar o documentário, o simpático narrador disse-lhe
apenas: “-Amanhã lhe mostrarei a segunda dessas suas três vidas.



Todos os ouvintes julgaram interessante o sonho, porém se
dispersaram e não mais falaram no assunto até que no dia seguinte, Dª. Emerita,
impressionada, contou aos filhos e ao esposo que o sonho continuara. O mesmo
senhor apareceu e de forma idêntica narrou mais uma de suas vidas, porém correlacionando
as pessoas que participaram das duas existências mostradas, prometendo, no
final, voltar na noite seguinte para contar a última vida.



Peço ao leitor que aquilate o grande reboliço e expectativa
acontecida na pacata família Favilla, cuja residência era então na Rua Pinheiro
Guimarães, sossegada rua do bairro de Botafogo- Rio de Janeiro.



Na manhã seguinte, para os familiares já curiosos, Dª.
Emerita fez um pouco de suspense até confirmar que novo sonho tinha acontecido.
Teve a vida narrada, as pessoas antes correlacionadas, assinaladas e no final
de tudo o simpático velhinho com muita modéstia se identificou como o venerado
irmão Jerônimo de Praga, explicando que na condição de Guia Espiritual de Dª.
Emerita, tinha vindo para orientá-la e avisá-la que deveria dar início à sua
principal missão em sua nova encarnação: criar uma comunidade espírita nesta
parte do planeta. Para tal era preciso organizar cultos específicos (sessões
espíritas) em sua residência por no mínimo quatro anos. Posteriormente seria
orientada quanto ao prosseguimento de sua missão.



Por oportuno, cabe lembrar que o mentor Jerônimo de Praga
esclareceu que não poderia correlacionar os personagens registrados nas vidas
relatadas com as pessoas encarnadas à época, avisando que muitos ainda não
tinham sido reunidos ao clã dos Favilla, que daria origem à comunidade que
esperava ver constituída pela atuação de sua protegida.



Impressionado com as revelações acima expostas, o irmão
Francisco Favilla, que professava junto com sua família a religião católica,
descobriu uma tal de Federação Espírita Brasileira onde recebeu todas as
orientações necessárias para realizar os cultos determinados pelo Guia
Espiritual de sua esposa, revelado através de uma forma surpreendente e inequívoca.



Obs.: O Edifício “A Noite” foi durante anos  sede da Rádio Nacional e do vespertino “A
Noite”. Fica situado na Praça Mauá e 
nele, hoje, está instalada a representação local do Ministério das
Comunicações.

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